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Mercearia de Cabanas do Chão em documentário sobre o impacto da pandemiaPonto de encontro da aldeia, é por aquele estabelecimento comercial que passam, todos os dias, pessoas de todas as idades daquela localidade do concelho de Alenquer
Sílvia Agostinho
10-05-2020 às 11:23 |
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“Dona Ana” é o nome de um curto documentário do criador de conteúdos, Diogo Caramujo, que filmou a sua mãe Ana nas rotinas da sua pequena mercearia em Cabanas do Chão em tempo de Covid-19. Ponto de encontro da aldeia, é por aquele estabelecimento comercial que passam e se encontram, todos os dias, pessoas de todas as idades daquela localidade do concelho de Alenquer. “Dona Ana – Uma porta aberta em pleno estado de emergência” assim se chama este filme.
A mãe de Diogo Caramujo refere-se a este tempo apelidando-o de grande crise. Vemos a dona Ana a colocar luvas e uma viseira no início do filme. Para ela estar de porta aberta é uma obrigação. É dos poucos locais a funcionar na aldeia. E como se sabe muitos recorreram às mercearias desde que o estado de emergência foi decretado. Dona Ana não é só uma comerciante é também uma psicóloga ou amiga para as pessoas mais idosas. Aquelas que têm mais dificuldade em compreender estes tempos, que são obrigadas a ficar ainda mais sozinhas quando antes já viviam na solidão. Diogo Caramujo conta que este tem sido um dos principais desafios da mãe, porque “essas pessoas não têm muitas vezes suporte familiar, e por isso há mais dificuldade em perceber o que se está a passar. Algumas até se revoltam”, refere. A mãe no vídeo diz que apesar de todas as limitações, essa camada da população acaba por se deslocar ainda mais à mercearia. Mas também passou a ajudar os clientes que preferem, nesta altura, encomendar as compras a partir de casa e assim cumprirem o distanciamento social. – “Ficam muito agradecidos, principalmente quando lhes facilito no pagamento das compras apenas quando recebem a pensão”. Dona Ana conta que não aumentou os preços e que isso também foi bem acolhido pela comunidade que agora sente mais dificuldades. Na sua loja só entram três pessoas de cada vez. Fornece gel para as mãos. “Ando sempre a desinfetar as superfícies”. Por outro lado, tem ajudado os clientes com máscaras. “Não sei se são as melhores. Montei um atelier e vou costurando máscaras para dar às pessoas”. PUB
O que mais lhe custa neste tempo de pandemia é ficar longe dos netos.
Já lá vai mais de um mês. Fez anos recentemente. Nesse dia teve uma pequena alegria – Os netos vieram à porta cantar-lhe os parabéns. Diogo Caramujo diz que a prenda de anos foi uma viseira que a comerciante mostra durante o vídeo. “Custa-me não poder abraçar os meus filhos, netos e noras”. Quando chega à noite é pior, “porque estou sozinha e começo a pensar se vamos ficar doentes, e no que nos vai acontecer com esta doença”. “Depois disto temos de ser mais humanos uns com os outros e a medir as consequências dos nossos atos. Só espero abraçar e beijar a minha família o mais depressa possível”. Diogo Caramujo tem-se dedicado a vários projetos deste tipo durante a quarentena. Também fez um filme na garagem da sua casa intitulado “Coronavírus Covid-19” em que tenta deixar uma mensagem de esperança e de sobrevivência. É esse também o sentimento que deixa com o filme em que homenageia a sua mãe. Que este é um tempo de reflexão e que há que continuar a ter esperança. |
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