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Ricardo Correia, comandante dos bombeiros de Azambuja
“No meio de um incêndio salvar pessoas e bens é mais importante que a Covid-19”

No meio do Covid-19 e na época de fogos os bombeiros não têm mãos a medir
Miguel António Rodrigues
20-08-2020 às 16:35
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À semelhança de outras associações, os Bombeiros de Azambuja tiveram de se adaptar à chegada da pandemia. Ricardo Correia, comandante do corpo de bombeiros, fala num trabalho hercúleo por parte dos seus soldados da paz e vinca o esforço das autoridades de saúde pública, salientando que ninguém estava preparado para lidar com a situação. Em plena época de fogos, refere que a preocupação com a pandemia está presente mas salvar vidas e bens no imediato é o primeiro pensamento de qualquer soldado da paz.

Numa entrevista concedida ao Valor Local, e que pode ser vista em vídeo no nosso site nos próximos dias, o operacional refere que “ não tínhamos muita noção da utilidade da saúde pública naquilo que era a normalidade do dia a dia antes da Covid-19 e isso revelou-se num na altura em que precisámos dela”. Contudo, e ao contrário de outros protagonistas locais do concelho de Azambuja, Ricardo Correia, enaltece o esforço de todos neste processo, sem esquecer a saúde pública, sobretudo quando Azambuja teve que lidar com surtos de covid-19 muito antes de outros municípios do país.

Em causa estão os consecutivos surtos nas empresas Avipronto e Sonae, que dominaram as atenções nos media, mas que sobretudo preocuparam a população e os trabalhadores. Ricardo Correia diz ter a sua opinião pessoal que no caso de ter existido alguma falha foi estrutural “por parte de quem teve responsabilidades ao longo dos anos e deixou a saúde pública chegar a este estado”.

Ricardo Correia destaca que os voluntários de Azambuja colocaram um plano de segurança em prática logo no início da pandemia, que passou por fechar as portas do quartel ao público e gerir as escalas de serviço. Outra das medidas passou por manter os voluntários em casa, recorrendo apenas aos profissionais no dia a dia do quartel.

Ao Valor Local, Ricardo Correia refere que o corpo de bombeiros não teve falta de material e que conseguiu até ao presente lidar bem com a situação. Nenhum bombeiro ficou infetado até à data com o vírus, embora tenham sido realizados muitos transportes de suspeitos de covid e até de casos confirmados.

Outra das questões, prendeu-se com a forma como os bombeiros se deslocaram, por exemplo, para os acidentes de viação em tempos de pandemia. O comandante refere que as ordens são para irem totalmente equipados, como se o sinistrado estivesse infetado, sendo essa uma forma eficaz na proteção dos bombeiros.

Com a época de fogos em pleno, o comandante dos bombeiros, refere que os voluntários têm em prática um plano para não descurar nem a pandemia nem os fogos. O operacional refere que desde um de junho que estão a trabalhar no assunto e embora “seja difícil conciliar a preocupação com a covid e a incidência dos incêndios” assegura que Azambuja está a preparar os seus soldados para o que aí vem.

“O combate aos incêndios é exigente fisicamente e colocarmos na cabeça que temos de andar sempre de máscara, numa altura em que precisamos de respirar, sendo que o ar ali não é da melhor qualidade, tem sido um enorme desfio para os operacionais”, desabafa Ricardo Correia que salienta que “não está fora de hipótese que num caso de fogo que envolva vários corpos de bombeiros, não possa existir um foco de infeção”.
Há algumas preocupações dos bombeiros que têm de ir sendo colmatadas.

​ Um dos exemplos são os espaços de refeição nestes cenários de fogo. Em regra são mesas corridas, quando as há, mas não existe plano de contingência possível nem de distanciamento social num incêndio, onde por exemplo estão mais de cem bombeiros, e isso é uma preocupação que ainda assim não afasta os bombeiros da sua missão.
Para o comandante “no meio de tantas preocupações que os fogos rurais nos oferecem, principalmente naquilo que tem a ver com a segurança das habitações e das pessoas, a Covid quase que passa para segundo plano” e explica que “entre salvar as pessoas e os bens e ao Covid, garantidamente que não haverá nenhum bombeiro que vá colocar o vírus em primeiro lugar” desabafa o comandante.

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Concordo com a opinião do Comandante Ricardo Correia , expressa nesta entrevista, que apagar fogos, salvar vidas e bens em tempo de pandemia , exige dos heróicos Bombeiros, Soldados da Paz,um esforço titânico, para o qual não estavam preparados , pelo que , ao longo desse percurso terão que ir colmatando algumas falhas , como por exemplo as mesas de refeições para cento e tal pessoas, impossivel de respeitar as regras de seguranca e de distanciamento social.
O meu Bem Haja a todas as Associações de Bombeiros.
Vicente Corvo
Sintra
20/08/2020 21:58

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